Educação libertadora

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Dá muito trabalho ser livre. Mesmo assim, precisamos de algum caminho para nos tornarmos o que somos. Ninguém pode fazê-lo por nós, mas também não podemos fazê-los simplesmente por nossa conta. Precisamos de guias para encontrar guias. Algo que Aristóteles falou certa vez deve ser reiterado aqui: muitas pessoas que não conhecem livros são, literalmente, muito sábias, às vezes mais sábias do que os ditos educados. Talvez seja o caso de nosso avô ou de algum operário ou camponês comum. Devemos conhecer e respeitar as experiências das pessoas comuns. Onde quer que haja uma mente e uma realidade, alguém pode encontrar a verdade. De modo algum isso apequena nossa vontade de conhecê-la de modo mais completo e buscar a orientação de bons livros, bons professores, bons pais, boas bibliotecas e bons amigos. (…)

O que pode ser essa outra forma de aprendizado? A primeira coisa a lembrar é que a maioria das grandes mudanças, dos grandes encontros com a verdade, com o que é bom, começa em lugares tranquilos e insignificantes. Frequentemente, começos pequenos surgem como que por acaso, ainda que mesmo os acasos sejam subsumidos em nossa vocação. Assim, o que nos faz acordar pode ser o que Aristóteles chamou de “admiração”, uma curiosidade sobre o que algo significa ou é. Pode ser um amor, uma consciência de que não estamos completos por nós mesmos. Mesmo nosso conhecimento começa não em conhecendo a nós mesmos, mas conhecendo algo não somos nós, alguma outra coisa que seja.

(Sábias palavras de James V. Schall, S.J., professor de filosofia política da Universidade Georgetown. Traduzido e divulgado por Felipe Melo, no seu importantíssimo blog. Original em inglês, neste livreto).

ALERTA: A péssima filosofia da educação de Maria Lúcia de Arruda Aranha

Há cerca de 10 anos, em 2003 ou 2004, ainda nos tempos da faculdade, tive que fazer um trabalho para uma matéria da Licenciatura, usando o livro abaixo:

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A 1ª edição, que eu utilizei, é de 1989. Logo no primeiro capítulo, a autora – que em 1971 já era professora de Filosofia, segundo esta matéria da Agência Brasil – afirma o seguinte, no item 1.4, “Cultura e socialização”:

O processo de socialização se inicia por meio da ação exercida pela comunidade sobre os homens.[…] É possível dizer então que a condição humana não resulta da realização hipotética de instintos, mas da assimilação de modelos sociais: o ser do homem se faz mediado pela cultura. […] Por isso, a condição humana não apresenta características universais e eternas, pois variam as maneiras pelas quais os homens respondem socialmente aos desafios […].

Ora, como é possível a condição humana não apresentar “…características universais e eternas”? Pois são justamente elas que permitem a imensa variedade de maneiras pelas quais os homens, de todas as culturas e de todos os tempos, respondem aos desafios que a existência oferece, sempre de maneira criativa! Então, a criatividade é uma característica universal e eterna da condição humana, ao contrário da “condição animal” dos irracionais, que só agem movidos pelo instinto. E eis aqui mais uma característica universal e eterna: a racionalidade, a capacidade de fazer perguntas (os porquês e para quês etc).

Da mesma forma, a condição humana não resulta da “… assimilação de modelos sociais”: ela é justamente a “condição” que permite aos seres humanos assimilarem os modelos sociais, transformando-os – e sendo transformados – pela mediação da cultura. A condição humana necessariamente antecede os modelos sociais.

Logo depois, no tópico 1.5 (“Sociedade e indivíduo”), a autora escreve:

A transformação produzida pelo homem pode ser caracterizada como um ato de liberdade, entendendo-se liberdade não como alguma coisa que é dada ao homem, mas como o resultado da sua capacidade de compreender o mundo, projetar mudanças e realizar projetos.

Ora, a liberdade não é o resultado da capacidade do homem de compreender o mundo e transformá-lo, mas é causa dessa capacidade. A liberdade é “dada” ao homem, isto é, ela é inata a todos os seres humanos; é mais uma das características universais e eternas da condição humana.

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Esse foi só o primeiro capítulo. Não li o restante da obra, apenas folheei. Sem dúvida, há de haver muitas coisas boas e úteis em todo o livro e – muito provavelmente – problemas semelhantes a esse. Graves, portanto!

Em 2006 saiu uma 3ª edição revista e aumentada da obra, com grandes alterações em sua estrutura. O primeiro capítulo foi deslocado para o meio do livro, e pelo menos uma das citações acima permanece, sem nenhuma modificação. (Estou me perguntando se valeria a pena ler atentamente toda a obra para fazer as eventuais correções. Bem, se alguém quiser me pagar para isso… Aceito!)

Dedico esta postagem a todos os professores, estudantes e profissionais de Pedagogia e de ciências humanas, no Brasil e em todos os países de língua portuguesa. Afinal, a nossa Educação TEM QUE MELHORAR!!

Quanto à professora Maria Lúcia: espero que esteja bem e, caso chegue ao seu conhecimento esta crítica, que lhe sirva para reflexão e aprimoramento pessoal e profissional.

(Observação: o título do post é propositalmente apelativo, apenas para chamar mais a atenção)

A diferença entre instrução e educação, ou: a família é a base da sociedade humana

É simplesmente impossível não divulgar este EXTRAORDINÁRIO artigo do professor Carlos Ramalhete, publicado esta semana: Desconstrução da família. Toca o dedo na ferida!

Dizem os demagogos que abrir uma escola é fechar uma cadeia. Mentira. Escola serve para instruir, não para educar; o que a escola, uma boa escola, pode fazer é transformar um assaltante em estelionatário, mas não mais que isso.

O que educa é a família, e a família íntegra. Uma mãe sozinha estará sempre em desvantagem, por mais heroicos que sejam seus esforços. Afinal, a dialética do “tira bonzinho” e do “tira malvado” não é invenção de filme americano, mas a realidade das reações naturais de pai e mãe. Ser ambos ao mesmo tempo é simplesmente impossível.

Para alegria dos cafajestes, contudo, a nossa legislação premia o mau pai. Algumas décadas atrás, quem “fizesse mal a uma moça” teria de casar com ela, assumindo as responsabilidades de esposo e pai, sob pena de, no mínimo, ostracismo. Já hoje a única responsabilidade, o teor total dos deveres paternos, consiste em comprometer para o conjunto dos filhos um terço da renda registrada em carteira. Não pagar é uma das pouquíssimas maneiras de ainda ser preso.

Mas o que é um terço da renda, mesmo para a minoria que tem carteira assinada? É muito menos que o que um pai de família desembolsa, em termos financeiros. Em termos de compromisso afetivo e emocional e de esforço – acordar de madrugada, levar criança doente ao médico… –, é nada.

E, para a mãe, haveria ainda um incentivo econômico a ter filhos de pais diferentes, fazendo com que cada um possa levar o terço da renda formal do pai. É bem verdade que o coração tem razões que a própria razão desconhece e que poucas mulheres racionalizam assim a própria reprodução, mas o incentivo está aí.

Para jogar uma pá de cal, o casamento civil – já transformado em contrato temporário pelo divórcio – traz menos direitos que a dita união estável, que não requer coabitação. Ou seja: vale mais a pena não casar.

Na campanha de nossas elites revolucionárias contra a educação e contra a família, já tão bem- sucedida na legislação, o alvo da vez é o casamento. Faz-se tudo para mudar-lhe o sentido, para fazer da instituição de direito natural voltada à reprodução e à educação das gerações futuras uma espécie de celebração do afeto sexuado, como se o recreio fosse a escola e o flavorizante, o alimento. Como boi de piranha dessa desconstrução, exploram-se os homossexuais.

De nada adianta multiplicar as escolas se se impede que sejam educadas as crianças que elas tentam instruir. O analfabetismo funcional e a criminalidade são apenas o resultado da experiência social de que nosso país é cobaia.