Sorriso de mulher

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Nada é mais belo que uma bela mulher. E nada é mais fascinante, nada lava mais completamente a alma, que o sorriso de uma bela mulher. Quando a dona deste sorriso – que, claro, não tem coração – nos rouba o nosso, então, temos o apogeu de toda a beleza da Criação. É fácil, fácil demais, atribuir esta percepção do Belo à necessidade biológica de encontrar uma parceira para a reprodução. Há isso também, mas há muito mais: a mulher completa o homem em níveis muito mais profundos, muito mais verdadeiros, que o meramente biológico, que o meramente psicológico.

O sorriso da mulher amada é um vislumbre da glória prometida, é uma janela que se abre a um infinito apenas vislumbrado. Não apenas por ser feminino, mas por ser um acesso ao Feminino, àquilo que nos completa, nos torna capazes de ser plenamente humanos.

Biologicamente, também, há evidentemente um sentido, ainda que raso: se o sorriso da mulher nos agrada, temos um incentivo subconsciente para protegê-la, agradá-la; fica ainda mais fácil tornar em ato o cavalheirismo instintivo que move todo homem diante de uma bela mulher. Mas, ao mesmo tempo, é um sorriso que nos civiliza, que tira as arestas deste mesmo cavalheirismo, que de fábrica vem um pouco desordenado. É o mesmo impulso de arrancar da mulher um sorriso que leva o homem à aventura, a deixar a testosterona tomar conta e partir para a guerra, para o salto de paraquedas, para a pilotagem em alta velocidade. E é aí a reação feminina daquela bela face preocupada, ou mesmo triste, que nos impede de perder, por excesso de macheza, a admiração da mulher amada.

É o sorriso feminino que nos impede de ter uma barba até o joelho, que apavora os fabricantes de pochetes, que impõe limites àquela estranha forma de selvageria que assola o homem só. Sem este sorriso o ogro desperta, a barriga de cerveja cresce, o pelame toma formas estranhas e inusitadas.

Com ele, civilizam-se os aspectos e as aventuras; as motocicletas ganham garupas, os jardins ganham flores, e o ogro retira-se às negras entranhas do subconsciente, de onde só sairá para defender o mesmo sorriso que o aprisionou.

As invenções do homem – do fogo e da roda às bombas termonucleares e aviões – são, no fundo, o fruto desta influência civilizadora que só pode ter o sorriso da mulher amada. Sem ele, nada somos. Com ele, o mundo é nosso. Sem ele caímos àqueles 97% dos genes comuns aos outros primatas. Com ele, subimos muito além dos 3% restantes: subimos ao Céu, prefigurado na terra por aquela boca, aquele olhar.

 

(Este é mais um belíssimo artigo da pena do professor Carlos Ramalhete, que escreve todas as quintas-feiras na Gazeta do Povo:  http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1448744. Foto: Agência Reuters, dos Jogos Olímpicos de Inverno, na Rússia)

Roger Scruton: Por que a beleza importa?

Este documentário foi dirigido pelo filósofo inglês Roger Scruton – um dos mais importantes intelectuais da Europa – e veiculado pela BBC escocesa em 28/11/2009. Nele, de uma forma brilhante, instigante e muito elucidativa, o Professor Roger Scruton demonstra como a partir do século XX, perdendo o senso ético e estético de(a) Beleza, a humanidade afundou-se ainda mais no que ele chama, com inteira razão, de deserto espiritual. Tal deserto, indubitavelmente, é um dos frutos do ideal, soberbo e falacioso, da modernidade iluminista que assentiu que “o homem é a medida de todas as coisas“. Hoje, já na pós-modernidade da humanidade, já não há mais senso ético e estético de Verdade, de Bondade ou, como bem explica Scruton, de Beleza. As consequências disso? Muitas!

Por que a beleza importa?

Como visto no post anterior, o último CD da Carol Saboya se chama, muito apropriadamente, BelezasOra, qual é a importância da beleza para nós, humanos? Esta semana, li um artigo sobre a arquitetura do nosso Oscar Niemeyer, muito profundo, que nos leva a pensar sobre muitas coisas. Olhem só estes trechos:

A beleza está no vértice da realidade. (…) Ela encerra a relação de conveniência, ou de sintonia, entre uma propriedade universal do ser e a inteligência que a contempla. (…)

O impacto sensorial causado pelas coisas verdadeiramente belas, às quais ninguém é indiferente, não implica que a beleza não possua razões. Ao contrário, onde não há inteligência não pode haver beleza em sentido próprio. (…) A beleza existe para conduzir as criaturas inteligentes ao êxtase, à pletora de amor. (…)

Daqui:  Niemeyer e o êxtase de Narciso

Realmente, para apreciarmos devidamente a beleza, é necessário um aprendizado! E isso significa: precisamos sempre ter alguém que nos conduza – um professor, um mentor, um mestre… Quem foi, ou é, seu(s) mentor(es) na educação da sensibilidade estética? Qual é a importância, por exemplo, de um pintor tão extraordinário quanto Henri Matisse, ou de um músico como Tom Jobim?

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