Educação libertadora

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Dá muito trabalho ser livre. Mesmo assim, precisamos de algum caminho para nos tornarmos o que somos. Ninguém pode fazê-lo por nós, mas também não podemos fazê-los simplesmente por nossa conta. Precisamos de guias para encontrar guias. Algo que Aristóteles falou certa vez deve ser reiterado aqui: muitas pessoas que não conhecem livros são, literalmente, muito sábias, às vezes mais sábias do que os ditos educados. Talvez seja o caso de nosso avô ou de algum operário ou camponês comum. Devemos conhecer e respeitar as experiências das pessoas comuns. Onde quer que haja uma mente e uma realidade, alguém pode encontrar a verdade. De modo algum isso apequena nossa vontade de conhecê-la de modo mais completo e buscar a orientação de bons livros, bons professores, bons pais, boas bibliotecas e bons amigos. (…)

O que pode ser essa outra forma de aprendizado? A primeira coisa a lembrar é que a maioria das grandes mudanças, dos grandes encontros com a verdade, com o que é bom, começa em lugares tranquilos e insignificantes. Frequentemente, começos pequenos surgem como que por acaso, ainda que mesmo os acasos sejam subsumidos em nossa vocação. Assim, o que nos faz acordar pode ser o que Aristóteles chamou de “admiração”, uma curiosidade sobre o que algo significa ou é. Pode ser um amor, uma consciência de que não estamos completos por nós mesmos. Mesmo nosso conhecimento começa não em conhecendo a nós mesmos, mas conhecendo algo não somos nós, alguma outra coisa que seja.

(Sábias palavras de James V. Schall, S.J., professor de filosofia política da Universidade Georgetown. Traduzido e divulgado por Felipe Melo, no seu importantíssimo blog. Original em inglês, neste livreto).

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Sorriso de mulher

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Nada é mais belo que uma bela mulher. E nada é mais fascinante, nada lava mais completamente a alma, que o sorriso de uma bela mulher. Quando a dona deste sorriso – que, claro, não tem coração – nos rouba o nosso, então, temos o apogeu de toda a beleza da Criação. É fácil, fácil demais, atribuir esta percepção do Belo à necessidade biológica de encontrar uma parceira para a reprodução. Há isso também, mas há muito mais: a mulher completa o homem em níveis muito mais profundos, muito mais verdadeiros, que o meramente biológico, que o meramente psicológico.

O sorriso da mulher amada é um vislumbre da glória prometida, é uma janela que se abre a um infinito apenas vislumbrado. Não apenas por ser feminino, mas por ser um acesso ao Feminino, àquilo que nos completa, nos torna capazes de ser plenamente humanos.

Biologicamente, também, há evidentemente um sentido, ainda que raso: se o sorriso da mulher nos agrada, temos um incentivo subconsciente para protegê-la, agradá-la; fica ainda mais fácil tornar em ato o cavalheirismo instintivo que move todo homem diante de uma bela mulher. Mas, ao mesmo tempo, é um sorriso que nos civiliza, que tira as arestas deste mesmo cavalheirismo, que de fábrica vem um pouco desordenado. É o mesmo impulso de arrancar da mulher um sorriso que leva o homem à aventura, a deixar a testosterona tomar conta e partir para a guerra, para o salto de paraquedas, para a pilotagem em alta velocidade. E é aí a reação feminina daquela bela face preocupada, ou mesmo triste, que nos impede de perder, por excesso de macheza, a admiração da mulher amada.

É o sorriso feminino que nos impede de ter uma barba até o joelho, que apavora os fabricantes de pochetes, que impõe limites àquela estranha forma de selvageria que assola o homem só. Sem este sorriso o ogro desperta, a barriga de cerveja cresce, o pelame toma formas estranhas e inusitadas.

Com ele, civilizam-se os aspectos e as aventuras; as motocicletas ganham garupas, os jardins ganham flores, e o ogro retira-se às negras entranhas do subconsciente, de onde só sairá para defender o mesmo sorriso que o aprisionou.

As invenções do homem – do fogo e da roda às bombas termonucleares e aviões – são, no fundo, o fruto desta influência civilizadora que só pode ter o sorriso da mulher amada. Sem ele, nada somos. Com ele, o mundo é nosso. Sem ele caímos àqueles 97% dos genes comuns aos outros primatas. Com ele, subimos muito além dos 3% restantes: subimos ao Céu, prefigurado na terra por aquela boca, aquele olhar.

 

(Este é mais um belíssimo artigo da pena do professor Carlos Ramalhete, que escreve todas as quintas-feiras na Gazeta do Povo:  http://www.gazetadopovo.com.br/colunistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1448744. Foto: Agência Reuters, dos Jogos Olímpicos de Inverno, na Rússia)

Idolatria

Está muito, muitíssimo, deveras excelente esta homilia do Jonas, a respeito deste assunto tão delicado. Será ouvida com grande proveito por judeus, cristãos, ou mesmo pagãos… Enfim, por qualquer pessoa que acredite em Deus, de uma forma ou de outra. E até – por que não? – por ateus ou agnósticos. Simplesmente IMPERDÍVEL!