ALERTA: A péssima filosofia da educação de Maria Lúcia de Arruda Aranha

Há cerca de 10 anos, em 2003 ou 2004, ainda nos tempos da faculdade, tive que fazer um trabalho para uma matéria da Licenciatura, usando o livro abaixo:

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A 1ª edição, que eu utilizei, é de 1989. Logo no primeiro capítulo, a autora – que em 1971 já era professora de Filosofia, segundo esta matéria da Agência Brasil – afirma o seguinte, no item 1.4, “Cultura e socialização”:

O processo de socialização se inicia por meio da ação exercida pela comunidade sobre os homens.[…] É possível dizer então que a condição humana não resulta da realização hipotética de instintos, mas da assimilação de modelos sociais: o ser do homem se faz mediado pela cultura. […] Por isso, a condição humana não apresenta características universais e eternas, pois variam as maneiras pelas quais os homens respondem socialmente aos desafios […].

Ora, como é possível a condição humana não apresentar “…características universais e eternas”? Pois são justamente elas que permitem a imensa variedade de maneiras pelas quais os homens, de todas as culturas e de todos os tempos, respondem aos desafios que a existência oferece, sempre de maneira criativa! Então, a criatividade é uma característica universal e eterna da condição humana, ao contrário da “condição animal” dos irracionais, que só agem movidos pelo instinto. E eis aqui mais uma característica universal e eterna: a racionalidade, a capacidade de fazer perguntas (os porquês e para quês etc).

Da mesma forma, a condição humana não resulta da “… assimilação de modelos sociais”: ela é justamente a “condição” que permite aos seres humanos assimilarem os modelos sociais, transformando-os – e sendo transformados – pela mediação da cultura. A condição humana necessariamente antecede os modelos sociais.

Logo depois, no tópico 1.5 (“Sociedade e indivíduo”), a autora escreve:

A transformação produzida pelo homem pode ser caracterizada como um ato de liberdade, entendendo-se liberdade não como alguma coisa que é dada ao homem, mas como o resultado da sua capacidade de compreender o mundo, projetar mudanças e realizar projetos.

Ora, a liberdade não é o resultado da capacidade do homem de compreender o mundo e transformá-lo, mas é causa dessa capacidade. A liberdade é “dada” ao homem, isto é, ela é inata a todos os seres humanos; é mais uma das características universais e eternas da condição humana.

—–

Esse foi só o primeiro capítulo. Não li o restante da obra, apenas folheei. Sem dúvida, há de haver muitas coisas boas e úteis em todo o livro e – muito provavelmente – problemas semelhantes a esse. Graves, portanto!

Em 2006 saiu uma 3ª edição revista e aumentada da obra, com grandes alterações em sua estrutura. O primeiro capítulo foi deslocado para o meio do livro, e pelo menos uma das citações acima permanece, sem nenhuma modificação. (Estou me perguntando se valeria a pena ler atentamente toda a obra para fazer as eventuais correções. Bem, se alguém quiser me pagar para isso… Aceito!)

Dedico esta postagem a todos os professores, estudantes e profissionais de Pedagogia e de ciências humanas, no Brasil e em todos os países de língua portuguesa. Afinal, a nossa Educação TEM QUE MELHORAR!!

Quanto à professora Maria Lúcia: espero que esteja bem e, caso chegue ao seu conhecimento esta crítica, que lhe sirva para reflexão e aprimoramento pessoal e profissional.

(Observação: o título do post é propositalmente apelativo, apenas para chamar mais a atenção)

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4 comentários em “ALERTA: A péssima filosofia da educação de Maria Lúcia de Arruda Aranha

  1. Norma disse:

    Oswaldo, essas citações me lembraram os dualismos apontados por Schaeffer: a professora está obviamente trabalhando dentro da prisão dualista Natureza X Cultura. Assim, ela reduz ao máximo tudo o que é “dado” ao homem de antemão – só sobra a biologia – porque o próprio fato de ser “dado”, portanto “natural”, remete a determinismo para ela. Triste, não é? É por isso que nossa época odeia o elemento “dado” que éo corpo e o molda incessantemente a seus desejos – desde as plásticas cada vez mais invasivas até esse horror que é a “operação de ‘mudança de sexo'”.

    Abraço!

    • Ótima observação, obrigado! 🙂

    • Luciano disse:

      Querem defender suas religiões e crenças, o façam sem denegrir uma grande pensadora, como é o caso da autora do livro em questão. Só um fideísmo dissimulado justifica suas argumentações…

      • Luciano, de onde você tirou a ideia de que apontar erros ou contradições no trabalho de alguém é “denegrir” essa pessoa? Ao contrário, é um estímulo para que ela se corrija e se aprimore – se estiver aberta a isso, é claro. Além disso, a crítica que eu faço é o EXATO
        OPOSTO ao fideísmo de que você nos acusa.

        Sabe qual é o GRANDE problema da prof. Lucia Aranha, evidenciado por essa passagem de seu livro? Aguardo sua resposta, antes de lhe dar a minha.

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