Poesia para alegrar o dia!

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Quatro versos, quatro braços,

Como a cruz do Redentor,

As trovas são o calvário

Da alma do trovador.

 

Calvário que nos atrai,

Que nos prende e faz sofrer…

Pura fonte que me oferece

Motivo para viver.

 

A dor é cadinho aonde

A alma se fortifica

E, pela graça de Deus,

Sendo boa, melhor fica.

 

Numa vida quantas vidas

Em sofrimentos e ais!

Só quem não ama deveras

Vive a sua e nada mais.

 

Ser trovador é amar,

Amar sem conta ou medida,

E ter voz para cantar

Toda a beleza da vida.

 

Por sua sensibilidade

O poeta vibra tanto

Em requintes de bondade,

Que é mais que poeta – é santo.

 

Ser-se poeta é abrir

O coração par em par

E enche-lo tanto de amor

Que se não possa fechar.

 

As tuas palavras são

O que semeias na vida.

Não deixes cair da mão

Semente mal escolhida…

 

Não digas toda a verdade

Se for triste e for grosseira.

É melhor ter caridade

Que ser muito verdadeira.

 

Diz a verdade, não mintas,

Eu digo com convicção.

Mas vê lá, toma cuidado,

Não ofendas teu irmão…

 

Como hei de conciliar

Coisas tão desencontradas,

Se há mentiras piedosas,

Verdades envenenadas?

 

Que nos valha a consciência

E, sobretudo, o amor.

Iludir para bom fim

Também tem o seu valor…

 

Nos caminhos desta vida

A joeirar, gira… gira…

Nunca vi limpa a verdade

Da poeira da mentira.

 

Neste nosso coração

Tão fraco (e tão indomável…),

Há tanta contradição!

Tanto mistério insondável!

 

Tanta gente que imagina

Saber o que é caridade

E não vê, não descortina,

A seu lado infelicidade…

 

Tantas leis! Uma bastava

Pra ser feliz o mundo inteiro:

A que entre os homens se firmasse

Amor puro e verdadeiro.

 

Todos se queixam do mundo

Aflitos, erguendo a voz!

Mas a culpa é de nós todos,

Porque o mundo somos nós.

 

Quase toda a desventura

Vem disto, repara bem:

De querer o que não existe,

Desprezar o que se tem.

 

Na vida a maior canseira

A gente suporta bem

Se houver alguém que nos queira

E a gente lhe quiser bem.

 

(Ana Rolão P. M. Abano. Caruma. Lisboa, 1958)

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Um comentário em “Poesia para alegrar o dia!

  1. Barbara disse:

    Oswaldo, obrigada por esse presente. Poesia é coisa de gente pouca, e, não raro, de gente louca… Um bálsamo, quando ela vem pra abençoar, porque difícil é curtir poesia que não seja secular (ih, rimou! rsrs). Um grande abraço!

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